Breve histórico...

Minha foto
"O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove." Fernando Sabino

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não rifei um “eu te amo”...


Não rifei um “eu te amo”,
não disse assim, do nada.
Amor não é brincadeira,
e sim,
amor com amor se paga.
Agora eu não quero nada,
não quero ouvir suas palavras,
não quero ouvir o seu “te amo”,
quero apenas que não duvides
do tanto que transborda a minha alma
quando te vejo, te sinto, te ouço.
Não quero pensar em coisas vãs,
e nem conjecturar seus problemas de hoje
com um passado malvado.
Só quero pensar no seu rosto
iluminado pela luz do poste,
deitado de frente pra mim,
como uma fotografia em preto e branco.
Só quero sonhar com você em meus dias,
colorindo cada frestinha de harmonia,
me ensinando coisas que nunca vou aprender,
gargalhando com as coisas inúteis que digo.
Há vários amores em meu passado,
e há vários amores no seu,
mas o que torna esse meu amor tão especial
é apenas o sentindo que ele deu a minha vida.
Sua alma tem poder sobre a minha,
um poder de me acalmar, de dizer pra minha alma
que eu não preciso me fechar como tatu-bola.
Nossas almas já falaram sobre tudo,
tudo o que a gente ainda nem pensou em falar,
já foi dito, consumado, entrelaçado.
Eu não rifei um “eu te amo”.
eu realmente amo,
cada pedacinho do que te faz assim.
O seu silêncio, o seu sotaque, o seu olhar desconfiado
me encantam, sempre encantaram.
Não se apresse com nada,
não se pressione comigo.
Eu não tenho medo das palavras,
Não tenho medo dos sentimentos,
mas sei que você tem,
então eu te respeito.
Mas saiba que a ultima coisa que faria
seria quebrar seu coração.
Portanto, tente apenas não quebrar o meu...
Mas se quebrar,
não se preocupe!
Porque apesar das dores,
nunca vou desistir de amar.
Junto meus cacos e vou.
Mas quero que saiba que eu não rifei um “eu te amo”
simplesmente por rifar.
Saiba que eu te amo,
que contigo vou pra qualquer lugar,
que mesmo se eu não for,
você fica em mim
e eu te espero.
Mas só espero se for pra você voltar sempre pra mim.
Eu te amo,
não vou a lugar algum sem ter você comigo,
Seja em corpo,
 seja em alma,
 e eu só vou embora
se você mandar...

"A você eu amo, raramente me engano."
Caio Fernando Abreu.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Suspirando


Foi realmente muito lindo
quando te vi pela primeira vez
e pensei: te quero.
Foi.
Depois do lindo, o feio.
a luta, o choro, a dor...
Pior de tudo foi o sentimento de indiferença.
Foi.
Aí não quis abrir mão,
queria o óbvio,
prazer, sorrisos, cuidado.
Mas não tinha.
Mas era pouco.
A lindeza do primeiro olhar
aos poucos se perdeu nos terceiros
e quartos.
Mas insisti tanto que já não sei mais
se o que está escrito foi forçado
pela carência, pela ausência, pelo medo.
Não os meus capítulos,
todos tão lúcidos,
todos tão cumpridos...
Esperei bastante,
batalhei bastante,
ganhei algum prêmio?
Nenhum.
Agora me dá vontade de sentir
o que fiz sentir,
dá vontade de ser cortejada,
de ser querida e desejada.
Já não dá mais.
Sei bem lá no fundo
que comigo nunca vai existir
capítulos encantados,
romances bonitos,
olhar apaixonado...
Foi realmente muito lindo quando te vi pela primeira vez,
e depois de tantas curvas,
de tantas lágrimas,
ainda me sentar no mesmo jardim
e chorar as mesmas palavras,
e pegar a mesma indiferença,
e sonhar com palavras que nunca ouvi espontaneamente.
Só os bobos fazem isso.
só eu faço isso enquanto o mundo todo
esbalda-se em paixões, amores, delírios.
Sinto que não há amor para mim,
infelizmente sinto,
pois o que existe é a ausência
que me habita, tortura e entristece.
Mas realmente foi lindo aquele momento,
o momento que te vi pela primeira vez
e te quis,
como se fizesse um desejo ás nuvens e a chuva da tarde
eu te olhei sair,
e ainda espero voltar...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vontade do nada


Cansei de olhares profundos,
De olhos fechados,
Quero palavras sinceras
Para o bem ou para o mal.
Quero o som ou invés do silêncio,
Quero mãos entrelaçadas,
Abraços inteiros,
Sorrisos abertos.
Cansei dessa coisa morna,
Dessa coisa poética sem nome,
Sem comprometimento.
Quero dizer que sou sua,
Inteira.
E quero que diga que é meu,
Inteiro.
Se não quer assim,
Se não se sente assim,
Olhe nos meus olhos e diga para eu ir,
Mande-me embora,
Feche a porta.
Não me ligue mais.
Mas fale alguma coisa,
Olhares são subjetivos demais
Pra quem tem o coração inflamado
E a alma cega.
Mas se me quer assim,
Se gosta de mim,
Não me deixe ir embora,
Segura meus passos,
Embriaga minha alma
Com palavras doces
E gostosas.
Entrelace suas mãos,
Entrelace sua alma!
Despe sua alma do clichê que te prende,
Me mime, me ame, me xingue.
Esteja comigo sempre,
Rindo, chorando, brincando ou sofrendo.
Não espero nada,
Nunca esperei por nada,
Mas me deu uma vontade danada
De ser só sua,
E de saber que você é meu,
Na liberdade plena
Que Deus nos deu.
Só quero suas palavras,
Saber seus sentimentos profundos,
Saber que apesar dos clichês,
Eu encontrei em você minha parte perdida
E que eu sou sua parte perdida.
Podemos tentar pra vê.
Podemos pagar pra vê.
Afinal, já estamos juntos há mais tempo
Do que muito imaginamos...
Amantes na cama se beijando -Lautrec

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não tarda, amor!


Se me quer, venha!
Ah, amor, não espere tanto!
Se tem vontade de mim
Venha e venha logo,
Venha vestido e armado.
Na verdade venha desnudo,
Tanto de corpo quanto de alma,
Venha que apenas espero seu sorriso
Para sorrir de volta,
Que só espero seu corpo junto ao meu corpo
Para entrar nessa deliciosa erupção.
Não tarda, amor,
Que gosto da sua companhia,
Adoro ouvir suas conclusões,
e compartilhar de seus sonhos,
Mas me irrita essa sua comodidade com a vida!
Você tem tanta coisa pra fazer!
E eu também tenho!
Acho que nós dois temos
Interesses em comum!
Então acorda amor e venha logo,
Não me deixe esperando,
Que faço uma loucura qualquer dia!
Vou atrás de você até quando me permitir,
Mas não demore!
Tenho muita fome pela manhã,
Muita sede à tarde,
E pouco sono durante a  noite.
Preciso de sua companhia para saciar-me!
Preciso de seu colo para descansar…
Não tarda, amor!
Venha e venha logo,
Que meu colo te espera,
Que tenho mil coisas para te contar
No calor dos seus braços,
Sentindo seu cheiro gostoso de macho...


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Benquerer

Há versos, amor, que não consigo te escrever,
Há uma música no ar...
Uma tormenta de trovoadas entoando cantigas
E não consigo te ver, amor.
Não consigo te ter comigo.
Como se soubesse bem lá no fundo,
Que nossas almas se conhecem há tempos,
Que nossos corpos se entrelaçam em harmonia,
Mas tua razão, amor, afasta você de mim.
Há versos esquecidos aqui dentro,
Há folhas rasgadas pelo chão.
Gostaria de lhe dar um último abraço,
Aperta-lhe docemente as mãos,
Mas não há tempo para romantismo,
Nem mesmo sentimentalidades assim,
Não há mais versos, amor,
As trovoadas são o prelúdio do fim,
Apesar de ainda ter em mim
Uma sementinha de todo o benquerer do mundo...

The Happy Lovers (c. 1770) by Jean-Honore Fragonard

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Carta

Queria escrever uma carta, escrever mesmo, tirar as cores das minhas canetas favoritas e rabiscar o papel branco com palavrinhas sentimentais. Idiotices sairiam, com certeza. Mas com certeza estaria gravado ali meus melhores sentimentos – ou talvez piores. Mas sentada aqui eu fico pensando se o meu amigo, a quem queria mandar a carta, gosta de receber cartas. Na verdade fico pensando em como entregaria uma carta assim para esse amigo. Inútil pensar.
Ando muito medrosa e estressada ultimamente. Ando mais ansiosa do que realmente deveria e jogo a culpa na minha incapacidade de ainda estar onde estou. Queria o mundo inteirinho pra mim, mas da forma como as coisas caminham é o mundo que logo vai querer se desfazer de mim, justamente por causa da minha inutilidade.
E com isso ainda na cabeça, ainda fico me perguntando se meu amigo ia gostar de receber noticias minhas via carta, e não via e-mail, sms ou mensagem inbox via Facebook e Orkut. Queria mesmo colorir o papel com minhas canetas favoritas... Sim, meu amigo pode se sentir privilegiado por ser um dos poucos a receber letra minha bordada com canetas colecionáveis...
Mas tenho medo. Na verdade ando muito medrosa e ansiosa. O medo vem de um lugarzinho estranho dentro do peito. Um medo de ficar sozinha no escuro e não conseguir pensar em nenhuma palavra boa, de não conseguir lembrar nenhum carinho que valesse a pena esperar. E a ansiedade me mata porque quero ir embora, mudar os caminhos, mas ao mesmo tempo estou presa nesse medo vazio. Por isso não sei escrever mais cartinhas. Misturaria mil coisas nas linhas coloridas que seria impossível me fazer compreender.
Toda vez que me pego pensando em escrever só me lembro de coisas que me desanimam completamente de pegar o papel, de escolher as canetas, de pensar em algo doce e sincero que transcreva meu sentimento real. Não sei também que sentimento real é esse. Por isso também tenho medo de escrever. Por isso também morro a cada instante. Não consigo mais seguir sem um plano. Sem um plano A, um plano B ou, ao menos, duas soluções que se encaixem bem na minha vida.
Ontem percebi que não sou mais quem eu era. Eu era uma pessoa mais doce, menos fria, mais romântica, menos pessimista. Olha o que essa vida tem feito de mim! Lentamente vou perdendo velhos sonhos e desejos... Vou deixando de lado planos e mais planos. Não consigo mais ver o mundo como via antigamente. Parece que alguma coisa bonita dentro de mim se rompeu e eu não consigo mais colar, remendar ou tampar. E isso não me deixa mais escrever como escrevia antigamente, no papel branco com canetas coloridas…
Na verdade acho que minhas canetas são um pedacinho de um mundo que eu perdi e que não vou mais ter, porque passou. Acho que nunca fui tão feliz como eu era quando comprava minhas canetinhas coloridas, com cheirinho de várias coisas que eu amava. Eu não tinha problemas, eu não tinha esse coração pesado, eu não tinha cobranças infindáveis. Só tinha a felicidade de um papel e as inúmeras canetas...
Meu pessimismo não me deixa escrever com as minhas canetas colecionáveis. Meu amigo até merece uma carta, mas não merece o conteúdo, não merece os sentimentos confusos que posso colocar ali. Acho que meu amigo não merece também essas preocupações. Acho mesmo que nem deveríamos ser amigos... Acho  mesmo que deveríamos seguir sem contato, sem abraços, sem encontros, sem laços...
Acho que deixei esquecido em algum lugar minha melhor parte... e agora encontrá-la será difícil, quase impossível, porque esse meu amigo não é minha melhor parte. Porque se fosse, não estaríamos assim, tão distantes e sem cartas bonitas para trocar.

Pierre Auguste Renoir-La carta-1895-1900
Mas confesso, minha amiga querida, que aquele amigo meu, que nada queres de mim, poderia sim, ser minha melhor parte, onde eu poderia buscar uma linha e uma agulha para coser novamente o fio do destino. Confesso que ainda tenho em mim um restinho de esperança. Pequena, mas forte o suficiente para me matar a cada novo dia, a cada nova noite... Confesso que ainda tenho sentimentalidades assim.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Borboletas estúpidas!

Acordei com uma súbita dor,
E ao sentar-me na cama deparei com
Toda minha alma desmanchada no chão...
Aproximei-me da chama reluzente
E percebi que havia queimado minhas coloridas asas!

Borboletas estúpidas!

Como sou estúpida ao ponto de me aproximar
De um perigo iminente!
Mas a chama era linda, quente, atraente!

Borboletas não deveriam ser tão burras!

Entre a salvaguarda da minha alma
E o desejo pelo belo,
Aproximei-me do perigo
E minhas asas arderam como no inferno!

Borboleta idiota de nome burlesco!

Burlesca é minha ação,
Deixar-se conduzir por algo tão perigoso,
Por algo tão ardiloso...
Como a detestável paixão!

Agora sofro com a ausência das minhas asas queimadas
Pela ausência da beleza ardente das chamas reluzentes.
Agora sofro, pois estou imobilizada, com a alma desmanchada!

Borboletas são tão estúpidas como minha alma…

E eu achava que elas sobreviveriam por mais tempo…
Ah, mas é esse risco de morte iminente da paixão
Que faz esse regaço com minha alma,
Que transforma meus sonhos em tormento!

Há que se aprender a sobreviver nesse mundo novo
Como o homem de lata,
Mas sem desejar ter dentro de si aquele músculo
Que desmanchou minha alma.

Borboletas idiotas!
Porque não morreram todas?
Porque só perderam as malditas asas?

            - Para voltar a te aporrinhar,
 Pelo simples fato de você não saber esperar!
            Pelo simples motivo de lhe ver sorrir como uma criança
            Quando a chama voltar a se acender e, como num passe de mágica,
Fazer renascer nossas malditas asas!

Maldição!
O que faço para acabar de matar essas infames borboletas
Que se agitam dentro de mim?!
Não agüento ter minha alma rechaçada
E meu coração novamente ao chão...

"Tartini's Dream" by Louis-Léopold Boilly (1761-1845).

Qual tem a borboleta por costume,
Que, enlevada na luz da acesa vela, 
Dando vai voltas mil, até que nela 
Se queima agora, agore se consume,

Tal eu correndo vou ao vivo lume 
Desses olhos gentis, Aónia bela; 
E abraso-me por mais que com cautela 
Livrar-me a parte racional presume.

Conheço o muito a que se atreve a vista, 
O quanto se levanta o pensamento, 
O como vou morrendo claramente;

Porém, não quer Amor que lhe resista, 
Nem a minha alma o quer; que em tal tormento,
Qual em glória maior, está contente
Luís Vaz de Camões

Seguidores