Breve histórico...

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"O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove." Fernando Sabino

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Espelho Retorcido...

São Jorge em luta contra o dragão - Vittore Carpaccio -1507

Minha alma está em prantos,


parece que alguma coisa está errada...


e o que está errado é o que mais me fascina,


é o que mais me move,


é o que mais me inspira...




Espelho retorcido,


memória falha,


abraços partidos, tudo esquecido,


tudo apagado, tudo no lixo!




Enquanto a moleca não virar mulher de verdade,


vai continuar sofrendo com a realidade,


pois um lado só pensa em virtudes,


o outro só maldades...




Qual dos dois lados terá a sensata verdade?


Não há verdade absoluta,


Não há nada.


No mundo de hoje, leões tem pele de cordeiro...




e nunca diferencio um cordeiro de um leão...


Até diferencio, mas sempre há uma forma de engano.


Espelho retorcido, alma retorcida,


medo, desespero, decepção...




Desilusão, desilusão... chora todos que me ouviram,


choram todos que acreditaram no meu som,


nas minhas palavras de devoção e proteção...


Pois bem, o ditado tá certo:




Quem muito fala dá bom dia a cavalo,


cachorro e passarinho...


mas isso não há mal.


O que há de mal é o racional.




O bem maior é o meu bem maior.


O bem dos outros é secundário,


é bobagem...


afinal o outro é mais forte,


aguenta todas as consequencias do final...




Hoje olhando a janela,


vi o começo de tudo,


mas não presenti o final...


Acho que enquanto caminhar acreditando em Clio,


ela não vai me abandonar...




Haja tanto esforço,


haja tanto folêgo,


pois não quero morrer na praia,


o inóspito não me atrapalha,


inimigos não me tocam.




São Jorge vai comigo,


mesmo sendo um santo mítico,


seu poder vai comigo,


suas armas me vestem,


e nenhum mal me atropelará...




Mesmo olhando pelo espelho retorcido,


de uma janela lateral de uma manhã


sem malícia, sem culpa, sem nada,


o mal não me pegará,


e minha alma não vai desistir,


e minha alma não vai parar...

Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar de São João Del Rei vista pela vidraça de uma casa - Kellen Silva - 14/12/2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Contos de Fadas... e as relíquias da morte



Depois de dias perdida na minha revolta futebolística, voltei meus olhos para um pequeno tesouro que conquistei durante a X Semana de História da UFSJ. Um pequeno livro que cheirava a infância. Sim, um livro lindo de ver e como eu sempre digo quando vejo um belo livro, me deu uma vontade de comer! Sim, comer! Comer cada cantinho do pequeno livro que trouxe para mim o conjunto perfeito da nostalgisa da infância e os prazeres do meu mundo adulto acadêmico. Além de trazer as histórias dos Contos de Fadas, de Perrault, dos irmãos Grimm, Andersen, Beaumont entre outros, traz também inúmeras imagens de gravuras narrando os pequenos contos.



Fiquei encantada com o porte do pequeno livro.



Esqueçam tudo o que já leram ou viram nos filmes da Disney. Nem sempre os contos de fadas terminam com um final feliz. Foi o que percebi no conto da Pequena Sereia. Nossaaaa, que tristeza que me deu no final do conto. Uma tristeza imensa que não é compartilhada (graças a Deus) nos filmes infantis da Disney.







Confesso que fiquei alguns dias sem dormir o suficiente, pois mergulhei nessa leitura que fazia minha infância retornar. Mas alguns elementos não estavam conectados. Existiam no final dos contos a tal da Moral. Enfim, o que percebi em alguns textos de Perrault foi um certo machismo exacerbado! Ora já se viu que uma mulher se satisfaz apenas com belos vestidos, mesmo sofrendo as mais duras penas? Tudo bem, ficamos sim satisfeitas com uns mimos, mas acho que Pele de Asno se vangloriava de seus tesouros justamente para suportar a realidade tão dura. Pobres homens que não conhecem nem um pouquinho dos tesouros das mulheres... eles acham que nos dobram facilmente com coisas extramente caras e belas. Nada disso tem valor sem sentimento, sem felicidade. Do que vale lindo vestidos sem ter pra quem mostrar, sem tem com quem compartilhar, sem ter onde ir? Pele de Asno sabia disso, mas sabia também que a "sorte pode dar uma viradaaaaa, uma viradaaaaaa". A aposta dela deu certo.


E eu, no que posso dizer que aposto (além de apostar no meu querido Cruzeiro)? Eu aposto em histórias com final feliz. Mas para se chegar ao final feliz, quanto desespero! Quanta dor e humilhação temos que passar! E nesse momento me lembro do conto que li desse livrinho que mais me emocionou, que mais me fez chorar: O patinho feio.


De verdade, Andersen me fez relembrar com seu conto célebres passagens da minha vida! Ô! Juro que todos, um dia, já se sentiram como o pequeno patinho cinza, um pouco fora do univreso, um pouco sem jeitinho, um pouco fora do mundo imposto. E quando li todas as passagens da vida do pequeno feioso até ele se descobrir como um lindo cisne, me lembrei de inúmeros eventos. Foi esse conto que mais me tocou. Não consigo entender porque, posso até entender, mas prefiro não opinar. Só quero compartilhar o prazer de ter lido a descoberta do pequeno feioso em um lindo cisne e dele tomar seu lugar entre os seus iguais. Nós também demoramos encontrar o nosso verdadeiro lugar e, muitas vezes, esse encontro demora... mas vale a pena a busca. Sempre vale.



E ontem acabei em mais lágrimas com a primeira parte do final da Saga Harry Potter. Se minha infância teve a presença dos contos europeus, minha adolescência e fase de "adulta emergente" me pega novamente com as histórias do Velho Mundo. Harry Potter e as Reliquias da Morte é o fim do restante de toda a magia e inocência, a morte se torna uma constante e o medo já faz parte dos sentimentos mais corriqueiros. Ter uma missão, ser o escolhido, carregar um fardo, perder amigos... tudo isso junto. As escolhas que fazemos durante nosso percurso é que nos levam ao final.

E eu levo muito a sério a vida dos meus personagens, eu adoro conviver com eles! cada leitura, cada filme, cada personagem se torna uma parte de mim. Contos e Histórias são partes importantes da minha vida e quero comigo sempre e sempre a nostalgia do fechar do livro, aquele vazio quando termina um filme, aquele coisa martelando na sua cabeça, uma moral para dar sequência a vida, que cada dia imita mais a arte... a arte da vida...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vergonha



Tenho uma vida inteira envolvida com o futebol. Mas não sou jornalista, não sou comentarista, não sou treinadora nem irmã ou filha de jogador de futebol. Sou mais experiente, porque sou torcedor, porque quando é dia de jogo do Cruzeiro eu largo tudo e vou ver. Não importa o que esteja acontecendo, ou é olho no lance ou ouvido no radinho.


E nessa vida de futebol já vi alguns absurdos que nunca concordei. Acho que futebol tem que ser vencido dentro de campo, por isso repudio as falas antes jogo, pós tudo bem, mas antes é desrespeito. Por isso repudio erros crassos na arbitragem. Acho injusto um time que luta durante meses ser prejudicado no apito. E quantas vezes isso aconteceu com times de MINAS GERAIS?


Não estou falando apenas do melhor de minas, o Cruzeiro, mas é uma puta sacanagem o que fazem com o América Mineiro na 2ª divisão. Garfado várias vezes, pode correr o risco de ficar de fora do G4 não por falta de competência, por falta de competência de quem segura o apito e as bandeiras. E por falar em erros crassos, o que dizer o que fazem com o Atlético Mineiro? O time custa a ir em uma final, custa a seguir em um campeonato, pra vim um árbitro despreparado e assinalar um penalti inexistente e destruir um sonho de um trabalho inteiro. Posso ser cruzeirense, mas não gosto de ver os sonhos e esforços de um clube ser jogados por terra como esses árbitros fazem.


Minas é azul em sua maior parte, é sim, mas Minas também é alvinegra e alviverde, tem outros times no estado, e acho uma injustiça essas times serem considerados pequenos e não contarem com o respeito, seja dos torcedores, seja dos times que jogam contra.


Mas o que eu venho dizer aqui é hoje é bem pior. O que fizeram ontem com o Cruzeiro foi o ápice de situações que retiraram de nós vários pontos que seriam importantes nessa reta final. Um gol muda a história inteira de um jogo, e quem entende de futebol vai concordar comigo. Um gol dado, como penaltis mau marcados arruina qualquer esquema tático, arruina qualquer grande jogador, porque acaba com sua motivação.


E o que o Fabrício fez sábado foi a materialização de um sentimento que estava no coração de mais de 8 milhões de torcedores do Cruzeiro. Acho que time inteiro deveria ter tomado aquela atitude, sair de campo e bater palma pro senhor Sandro Meira Ricci - que vc queime no mármore do inferno.


Uma sacanagem, o jogo estava aberto, e apesar dos vários erros contra o Cruzeiro, o jogo permanecia em 0x0 e caminhava pra um empate. Em um campeonato de pontos corridos, jogo fora de casa serve para tirar pontos do adversário, se não for possivel tirar três, que tire ao menos 2. E no sábado, toda a vez que o time do Cruzeiro ia para atacar, as bandeiras eram levantadas. Impedimento? não, "PERIGO DE GOL DO CRUZEIRO".




Enquanto existir pessoas que apoiam essa roubalheira, essa canalhice no futebol brasileiro, como vamos poder cobrar dos nossos políticos decência? como vamos cobrar honestidade, se no fim de semana celebramos essa vergonha chamada de "futebol brasileiro"?


Como disse, já vi erros abomináveis no futebol, mas o de sábado foi tão revoltante por ter estragado um jogo. E meu irmão, jogo pra mim é como um ritual sagrado. NADA deveria atrapalhar. NADA. Nenhum babaca de preto deveria estragar o show do talento dos semi-deuses do futebol. E era um jogo muito bom. Era um jogo digno de um campeonato super concorrido, mas que no final foi manchado pela incompetência de um mortal. Se o cara não tem condições mentais de apitar um jogo - muitos alegaram que jogar no Pacaembu, com a torcida inteira do Corinthians pode ter influenciado - pede pra sair. COMO UM CARA DESSES PODE SER CONSIDERADO O MELHOR ÁRBITRO BRASILEIRO? SÓ SE FOR PRAS NEGA DE SÃO PAULO E RIO DE JANEIRO.




Estou cansada com o descaso da CBF com o Futebol de Minas Gerais. CHEGA! MINAS GERAIS MERECE RESPEITO! Não é de hoje que isso acontece com a gente. NÃO É JUSTO O QUE FAZEM COM A GENTE, COM NÓS MINEIROS.


Aí vem a CBF na pessoa do RICARDO TEIXEIRA dizer que MINAS não pode ABRIR A COPA. ELES SIMPLESMENTE SE ESQUECEM QUE O MINEIRÃO JÁ ESTA EM REFORMAS, QUE BELO HORIZONTE TEM CONDIÇÕES E MELHORA PRA RECEBER O GRANDE CONTIGENTE DE PESSOAS EM 2014, E OS CARA QUEREM CONSTRUIR - COMEÇAR A CONSTRUIR UM ESTÁDIO EM SÃO PAULO: O FIELZÃO, QUE POR COINCIDENCIA DO DESTINO É DO CORINTHIANS!!!


ME AJUDA CBF!


ME AJUDA BRASIL!




QUE VERGONHA! QUE VERGONHA! Enquanto essa mentalidade do "jeitinho brasileiro" não mudar, o Brasil vai continuar sofrendo. E não me venha dizer que é cultural que isso já sem-vergonhice.


E outra coisa, não vou largar o futebol - AINDA. Tô fechada com o Cruzeiro até o final, até dia 4 de dezembro "tamo junto", porque é o mínimo de respeito e confiança que esse time merece, afinal ele luta, afinal ele não entrega. E não tem culpa de ser prejudicado pelo "SISTEMA".




Kellen Cristina Silva, Cruzeirense e apaixonada pelo futebol.




p.s. Hoje entendo o porque do "bairrismo" do Rio Grande


do Sul. Parabéns.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Confusões ...

Hoje me peguei imaginando como seria viver uma outra vida, retornar ao passado e refazer caminhos, mudar destinos, voltar e "consertar" coisas que hoje vejo que seriam melhores de uma forma diferente...


Será que chegaria hoje a ser quem sou, se eu voltasse ao passado pra mudar cada coisinha que hoje acho errado?


Não é síndrome de "Efeito Borboleta", não. É síndrome de Historiador. Historiador tem o poder de voltar ao passado e se abrir para as possibilidades do caminho. Como Samuel Butler escreveu sabiamente, "Deus não pode mudar o passado, mas os historiadores podem", sigo com essa síndrome de Historiador, a de olhar para o passado procurando possibilidades e analisando os caminhos que EU percorri até chegar ao ponto máximo da minha crise.

CRISE?


Acho que os tempos de leitura e leitura teórica durante as férias conseguiram arruinar meus neuronios normais... Quem me dera relembrar o passado apenas com a nostalgia deliciosa da infância, porém, o que me recordo mais são as memórias "trashs" de dias ruins. Muitos dias ruins...


E isso até que foi bom, justamente porque me tornei uma mulher alegre, engraçada e trágica. Isso é maravilhoso, porque não tomo Rivotril (e nunca tomei)... rsrs


Prefiro utilizar de Butler em outro contexto, no contexto de meus estudos acadêmicos. SIM, quando escrevo os passos dos meus queridos pintores, me sinto uma semi-deusa parida das entranhas de Clio, mudo o passado, recoloco na cena nomes que desapareceram, homens que nunca tiveram sua história contada, uma história que reflete o macro. O reflexo do espelho nem sempre é distorcido...


CRISE?


Kell não está em crise e nem andou revendo "Efeito Borboleta". Me imaginei mudando o "meu passado" justamente por mudar o passado de um Espírito Santo perdido. "Eles" ainda não sabem que o reencontrei e que busco recolocá-lo em sua posição de origem, mas só de reescrever uma parte da história desse homem, me revi sendo analisada por um historiador daqui alguns muitos anos...


A documentação não é o reflexo puro da realidade, meus queridos. A documentação é a imagem que queremos deixar para o futuro. Minhas anotações diárias não refletem com imparcialidade a minha realidade...


Agimos literalmente como semi-deuses. Nas nossas batalhas diárias nos arquivos, não podemos confiar em ninguém. NINGUÉM. Por isso nunca encontramos a verdade pura, é uma luta, uma odisséia sem fim, onde nunca encontraremos nossa Penélope...


Porém, não existe oficio mais fascinante do que descobrir em letras garrafadas do século XIX, XVIII ou XII os anseios, os medos e as tentativas de reflexo para o futuro que homens e mulheres deixaram registrados... registros não apenas em palavras sobre o papel, mas em tinta colorida sobre paredes e forros.


A história é o homem e nos historiadores, compartilhamos do olhar dos deuses... A crítica que está impregnada em nossa essência é o nosso diferencial, a nossa curiosidade aguçada, nosso poder...

Todo historiador é um pouco homem, um pouco deus e um pouco curioso...


Os semi-deuses custam a acreditar no chamado de seu destino, ou por medo ou por desconfiança do caminho a ser seguido. Creio que nós historiadores somos todos escolhidos por Clio, paridos dessa sábia curiosidade e escolhidos para ocuparmos um lugar, que muitas vezes, é desporovidos de valor, mas essencial para a humanidade ...

domingo, 2 de maio de 2010

Triste,






















Sinto-me triste,


parece que tudo o que reunia forças ao meu redor,


caiu,


dissipou o pouco de alegria que me restava dentro do peito.


o esquecimento de alguns é a dor alheia,


e sem querer,


o alheio interfere em nós muito mais do que imaginamos.


Piada pronta,


minha tristeza não é a maior do mundo


só porque é a minha,


mas minha tristeza pode ser sentida


por qualquer pessoa do mundo


que me ouvir,


ou melhor,


por qualquer pessoa que me olhar.


Não consigo entender como um começo feliz


poderia ter sido assim,


tão trágico... naquelas palavras


expressas daquela maneira!


Pra mim o começo foi o mais feliz,


tão contrastante com essa tristeza que sinto.


Acho que o que sinto e falo é bobagem,


besteirinha infantil


de quem ainda não cresceu...


Balelas que me entram pelos ouvidos


e eu, EU, simplesmente deixo ouvir,


não respondo.


Eu que respondo a tudo


e a qualquer coisa que me incomoda,


acato,


como se tomasse aquilo como um elogio.


Covarde.


Sim, me acovardo perante a experiência


de quem me diz o que quer,


mas não está preparado para ouvir,


é muita pressão...


Melhor não dizer nada,


melhor evitar a fadiga,


melhor viver e esquecer da primeira alegria...


Simplesmente deixar passar,


a tristeza não dura para sempre,


mas bem que a alegria podia durar...

quinta-feira, 18 de março de 2010


Queria ser o seu céu, o seu mar, a tua terra e cada pedacinho do fogo que arde em seu coração.

Mas não sou nada do que é belo no mundo, sou apenas mais um risco imperfeito da criação.

Se eu pudesse escolher um dia, escolheria aquele que vi seus olhos de universo inteiro pela primeira vez.

Ah... a primeira vez é tão nostálgica quanto sair em uma manhã fria lembrando-se da cama queitinha...

Primeira vez... tão lindo! Momentos tão únicos, o primeiro dia do resto de nossas vidas... A paixão dolorida, o amor (des) eterno e a mente brilhante... o esquecimento rotineiro...



Primeira vez queria voltar, voltar aos seus olhos de universo inteiro e me perder em devaneios eternos de uma noite de chocolate branco e violão, me consumindo por inteiro.

Segunda vez não perde a graça, melhora. O tempo melhora tudo, só estraga o que já nasceu torto, imperfeito.



O tempo, senhor dos nossos caminhos, abre espaço para o pensamento eterno, para o abraço desconexo com a realidade. O ontem já não é e o amanhã um horizonte de expectativa que nunca se alcança e sempre cansa a forma como procuramos. Melhor viver sempre a eterna experiencia, de dias iguais, de noites diferentes e madrugadas eternas.



A ultima vez que vi aqueles olhos de universo inteiro foi a quase duas horas atrás e o mesmo encantamento me acelera o coração e revira minhas entranhas com a esperança de mais um dia, de mais um momento de magia e expectativa. O tempo não deixa um horizonte mais claro, vivemos na ânsia venenosa do amanhã e esquecemos de viver o tempo presente. O passado é passado, mas é sempre revivido no presente. Revivo o passado no presente momento em que encaro aqueles lindos olhos de universo inteiro. O universo inteiro cabe ali. O meu universo inteiro em dois olhinhos castanhos que brilham mais que a lua cheia em sexta-feira da paixão...



Se eu pudesse escolheria ser seu céu, o seu mar, a terra firme por onde anda e o fogo ardente em seu coração. Se eu pudesse voltaria na terceira vez que nossos olhos faiscaram e que você me disse que eu já não seria mais seu horizonte de expectativa. O passado não lhe serve mais como experiência e o presente, pouco importa, empurra.



Se eu pudesse não seria a romântica perdida, a poeta vazia de versos e temporalidades, seria apenas mais uma canção de amor perdida e sentada no cais de porto, esperando e observando o tempo, o vento, a memória...




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